Líderes da União Africana Condenam Recente “Onda” de Golpes de Estado

Os líderes africanos reunidos na 35ª Cimeira da União Africana (UA) condenaram este Domingo (06/02) “inequivocamente” a recente “onda” de golpes de Estado no continente, segundo o Comissário Pan-africano para os Assuntos Políticos, Paz e Segurança da organização, Bankole Adeoye, numa conferência de imprensa, no âmbito da cimeira da UA, que decorreu este fim-de-semana na capital etíope, Addis-Abeba.

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Paises e Bandeiras dos Paises Membros da Uniao Africana

Para a fonte, “em nenhum momento da história da União Africana tivemos, num ano civil, em 12 meses, quatro países suspensos (da organização): Mali, Guiné, Sudão e Burkina Faso”. “Todos os líderes africanos na assembleia condenaram inequivocamente o padrão, o ressurgimento, o ciclo, a onda de mudanças inconstitucionais de governo”, sublinhou Bankole Adeoye durante

A UA “não tolerará qualquer tipo de golpe militar”, acrescentou Bankole Adeoye, recordando que os países que enfrentaram golpes foram suspensos pelo Conselho de Paz e Segurança da UA. “Façam a vossa investigação, em nenhum momento da história da União Africana tivemos, num ano civil, em 12 meses, quatro países suspensos: Mali, Guiné, Sudão e Burkina Faso”, rematou.

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Bankole Adeoye, Comissario para Assuntos Políticos, Paz e Segurança da Uniao Africana

Na óptica de Adeoye , referindo-se a situação da África Ocidental, disse que “o Sahel não deve voltar a ser um ‘foco’ de mudanças inconstitucionais de governo, descritas como um ‘flagelo’”.

Na mesma óptica, no seu discurso de abertura na cimeira de sábado, o presidente da Comissão da UA, Moussa Faki Mahamat, referiu-se à “onda desastrosa” de golpes de Estado e salientou as “ligações causais conhecidas” com o desenvolvimento do terrorismo.

Estatuto de Israel como “Membro Observador”  Continua a Dividir a Opinião dos Membros

Apesar dos inúmeros assuntos na ordem do dia, o estatuto de Israel como “membro observador” dominou igualmente a agenda dos  trabalhos da 35ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana.

A pedido da África do Sul e da Argélia, grandes opositores de Israel, a questão do “estatuto de observador” de Israel acabou sendo debatida na capital etíope.

A polémica remonta a Julho do ano passado, quando o Presidente da Comissão da União Africana,  Moussa Faki Mahamat, aceitou a acreditação de Israel, com o estatuto de observador, junto da organização de 55 Estados-membros.  

Pretória foi a primeira a contestar, sublinhando que lhes foi apresentado uma decisão já consumada que vai contra numerosas declarações da União Africana de apoio aos Territórios Palestinianos.

O assunto é altamente sensível e vinte anos após a criação da União Africana pode resultar numa cisão sem precedentes.

Lideres dos Estados Membros da Uniao Africana

Na cerimónia de abertura, o primeiro-ministro palestiniano pediu que seja retirado o estatuto de observador a Israel e enumerou uma longa lista de crimes israelitas cometidos contra o povo palestiniano 

Perante várias dezenas de dirigentes africanos,  Mohammed Shtayyeh, primeiro-ministro da Palestina não poupou nas palavras para acusar Israel de ser um estado “apartheid” e pediu “a retirada e objecção do estatuto de observador de Israel na União Africana“.

“Israel não deve ser recompensado pelas suas violações e pelo regime de apartheid que impõe ao povo palestiniano”, sublinhou Mohammed Shtayyeh, retomando a fórmula de um relatório da Amnistia Internacional publicado esta semana. 

Os povos do continente africano conhecem muito bem a devastação e a desumanização que caracterizam o colonialismo e os sistemas conexos de discriminação racial institucionalizada“, acrescentou o primeiro-ministro palestiniano, que lembrou ainda que as condições de vida do seu povo estão cada vez mais degradadas. 

Pin on Viagem a Israel.

A decisão controversa do presidente da Comissão da União Africana deveria ser discutida este domingo à tarde, mas foi chamada à abertura da cimeira pelo próprio. Minutos antes, no discurso de abertura, Moussa Faki Mahamat apelou a uma “discussão serena” do assunto e defendeu a sua decisão de acreditar Israel com o estatuto de observador junto da organização, lembrando que isso não significa deixar de defender o povo palestiniano.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros não conseguiram chegar a um consenso nesta matéria em Outubro e, por isso, a África do Sul e a Argélia, grandes opositores de Israel, colocaram a questão do “estatuto de observador” de Telavive na ordem do dia.

Um estatuto que é defendido por países como o Ruanda e Marrocos, que consideram ser benéfico para o continente poder usufruir dos conselhos israelitas em matéria agrícola, tecnológica e de luta contra o terrorismo.

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(AIM)

RFI/Lusa/Público/JSA