Cabo Delgado: Envolvimento das comunidades crucial para estabilidade

Mesa redonda sobre o conflito em Cabo Delegado

Maputo, 18 Nov (AIM) – O director do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), Adriano Nuvunga, defendeu hoje (17), em Maputo, a necessidade do governo envolver as comunidades residentes nas zonas afectadas pelos ataques terroristas, com vista a facilitar o processo de captura e responsabilização dos indivíduos que aterrorizam aquela província desde o mês de Outubro de 2017.

Segundo o activista, o papel das comunidades numa situação de conflito é extremamente importante, não só no ponto de vista de reconhecimento dos que perpetram estas atrocidades, mas também na questão do tratamento adequado das populações deslocadas, a questão da assistência humanitária principalmente para crianças, idosos e mulheres propensas a situação de vulnerabilidade.

Nuvunga defende um diálogo aberto e inclusivo que contemple todas as esferas da sociedade, medida que, segundo a fonte, poderá trazer soluções para o cenário vivido naquela província.

“O aprofundamento das causas e a raiz do problema mostra claramente que o caminho para a solução deste conflito não é militar, é preciso mudar esta atitude em relação as comunidades, é preciso perceber que as pessoas que estão a perpetrar esta violência são membros da comunidade, excluir essa gente não seria uma atitude correcta, disse Nuvunga, durante a Plataforma de diálogo para a resolução do conflito em Cabo Delgado, havida esta quarta-feira, na capital moçambicana.

“Agora se pressupõem uma frente mais orientada pelo diálogo, há necessidade de colocar a frente a componente diálogo inclusivo, com a participação de todos, incluindo aqueles que são vítimas e vivem na comunidade”, acrescentou.

Apesar da situação nas zonas de conflito mostrar uma tendência para o retorno a tranquilidade, graças a intervenção das Forças de Defesa e Segurança (FDS), que em parceira com tropas ruandesas e da Missão Militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para Moçambique (SAMIM), combatem os terroristas naquela região, a situação ainda é frágil.

“Como sabem, a situação ainda é frágil no que diz respeito ao regresso dos deslocados internos às suas origens e no que diz respeito a assistência humanitária aos deslocados internos, mas sobre tudo na questão de como solucionar o conflito em Cabo Delgado”, afirmou.

Nuvunga explicou que o objectivo central da plataforma é identificar propostas claras a serem apresentadas no poder público, considerando ser esta uma das formas que a sociedade civil tem para por fim ao problema.

Por sua vez, o embaixador de Portugal em Moçambique, António Costa Moura, lamentou a situação que se vive naquela região do país, com consequencias graves para as populações locais.

Recentemente, o Secretário dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal, Francisco André, anunciou um reforço de meio milhão de euros para ajudar as crianças, idosos e pessoas com deficiência física residentes naquela província, apoio que visa reduzir o sofrimento das populações mais vulneráveis.

“Portugal sempre estará disposto a ajudar Moçambique por forma a minimizar o sofrimento vivido naquela região”, disse.

Participaram no evento Membros da Sociedade Civil, Gestores Públicos, Parceiros de Cooperação, Alto-comissário da África do Sul, Membros das Confissões Religiosas, Quadros do Ministério da Defesa, entre outros convidados.
(AIM)