PM Diz Que Moçambique  E’ Incapaz de Assegurar “Sozinho” Recursos Para Mitigar Mudanças Climáticas

Por: Almiro Mazive, da AIM,  em Glasgow

O Primeiro – Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, diz que Moçambique jamais conseguirá sozinho reunir recursos necessários para assegurar a materialização de acções de adaptação e mitigação dos feitos das mudanças climáticas, que são cada vez mais frequentes embora o país seja um dos menos poluentes do mundo.

Governo exige maior preservação dos oceanos e mares para reduzir os efeitos  das mudanças climáticas | CanalMOZ

“Precisamos de recursos para o financiamento de acções de adaptação e mitigação”, apelou o Primeiro-Ministro, falando hoje (01), em Glasgow, na Escócia, no lançamento da actualização da Primeira Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) de Moçambique.

Na ocasião, que decorreu a margem da cimeira de alto nível sobre mudanças climáticas (COP-26), juntando cerca de duas centenas de chefes de Estado e de Governo mundiais, o Primeiro-Ministro anotou que Moçambique, para responder a actual dinâmica das mudanças climáticas, após a Conferência de Paris, fez a revisão da primeira NDC para o período 2020-2025.

O NDC é um instrumento de reforço das acções conjuntas contra os efeitos das mudanças climáticas.

Por isso, segundo Carlos Agostinho do Rosário, “convidamos a todos para se juntar aos esforços do Governo com vista a assegurar a implementação efectiva deste instrumento, importante para fazer face as mudanças climáticas”.

Disse que Moçambique tem, ainda, o compromisso de diversificar “a nossa matriz energética com predominância das energias limpas e amigas do ambiente tais como eólicas, hidrelétricas e solares”.

No evento, que contou com a participação de vários convidados com destaque para Pearnel Charles Júnior, co-Presidente da Parceria NDC, e ministro de Habitação, Restauração Urbana, Ambiente e Mudanças Climáticas da Jamaica, o governante moçambicano disse que o país encontra-se na rota dos fenómenos climatéricos extremos que, ultimamente, ocorrem com maior frequência e intensidade.

Aos presentes, o Primeiro-Ministro detalhou que ao longo dos últimos 40 anos, Moçambique foi assolado por 21 ciclones tropicais, 20 inundações e 21 secas. Em 2019, foi a vez dos ciclones Idai e Kenneth. E enquanto o país ainda estava a ressentir-se dos impactos dos ciclones Idai e Kenneth foi, mais uma vez, assolado em 2020 e 2021, pelos ciclones Gwambe, Chalane e Eloise.

“Estes factos demonstram o aumento da frequência e da intensidade dos eventos climatéricos extremos que assolam actualmente o nosso país”, afirmou.

Deixou claro que esses eventos climatéricos extremos, “lamentavelmente, provocaram perdas de centenas de vidas humanas, afectaram milhões de pessoas, bem como causaram elevados danos sociais e económicos que se acumulam ano após ano”.

Apontou que os referidos fenómenos extremos, que resultam das mudanças globais do clima, resultantes da emissão de gases de estufa de que o país pouco contribui, afectam os esforços do Governo para atender às prioridades nacionais, em particular a segurança alimentar que é crítica para a redução da pobreza.

Para fazer face aos impactos das mudanças climáticas, Moçambique tem vindo a implementar várias medidas que requerem apoio técnico e financeiro de parceiros, caso de mitigação e de adaptação a estes fenómenos, com destaque para o aprimoramento dos mecanismos de gestão e redução de risco de desastres a todos os níveis; implementação de acções de conservação da flora e fauna terrestre e marítima, redução do desmatamento e aumento do reflorestamento, entre outros.

Por sua vez, Pearnel Charles Júnior, co-Presidente da Parceria NDC, corroborou com o Primeiro-Ministro moçambicano, afirmando que “todos os planos precisam de recursos técnico-financeiros”.

“Vou empenhar-me a continuar a mobilizar apoio técnico e financeiro” para ajudar países como Moçambique na mitigação, adaptação, e recuperação dos impactos das mudanças climáticas”, assegurou.

O lançamento da NDC, que ocorreu no pavilhão da Parceria NDC, na impotente sala de conferências de Glasgow que acolhe a COP-26, foi organizado pelo ministério da Terra e Ambiente com o objectivo de divulgar o documento actualizado para 2020-25 por forma a mobilizar parceiros para a sua implementação, incluindo a capacitação técnico-institucional.

Antes do evento virado exclusivamente para Moçambique, o centro de conferências de Glasgow foi palco de discursos de diversos líderes e personalidades mundiais com destaque para o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que teceu duras críticas pela aparente letargia na redução das emissões.

Disse que durante a cerimónia de abertura que se os compromissos forem insuficientes até o final da COP-26, os países devem passar a rever os seus planos e políticas climáticas nacionais a cada momento ou ano e não de cinco em cinco anos.

Referiu que muitas vezes há défice de credibilidade e um “superavit” de confusão sobre as reduções de emissões e metas na matéria ambiental.
(AIM)
Mz /sg/JSA