O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, desdramatiza a presença de um contingente constituído por 1.000 tropas ruandesas no norte de Moçambique, onde se encontram desde sexta-feira da  semana passada, para apoiar as Forças de Defesa e Segurança (FDS) no combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado.
Exército do Ruanda faz reconhecimento em Cabo Delgado

Tropas ruandesas em Moçambique

Aliás, diz Nyusi, a presença de militares ruandeses em território moçambicano conta com a anuência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). “Somos um país soberano. A SADC respeita, permitiu e aceita que nós possamos a trabalhar de forma bilateral, mas também agora vamos trabalhar com os nossos irmãos do Ruanda que estão a chegar”, disse Nyusi, durante a visita que hoje efectuou a Unidades Militares na província central de Sofala.
Explicou que é mais fácil trabalhar de forma bilateral, pois o comando é único, algo que já não acontece quando a cooperação é multilateral devido aos múltiplos comandos. Nyusi fez questão de frisar cabe a Moçambique assumir a liderança do comando militar porque as FDS conhecem melhor o terreno. “Quem conhece Muidumbe, quem conhece Quissanga, quem conhece Matemo são as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique”.
Num outro desenvolvimento Nyusi instruiu as FDS a prosseguirem as suas operações até a neutralização do auto-proclamado líder da Junta Militar da Renamo, Mariano Nhongo. A Junta Militar exige melhores condições de reintegração, a renegociação do acordo de paz de 2019 entre o governo e a Renamo e a
renúncia do actual presidente do principal partido da oposição, Ossufo Momade, a quem acusam de ter desviado o processo de negociação dos ideais de seu antecessor, Afonso Dhlakama, um líder histórico
que morreu em Maio de 2018.
“Vamos aproveitar aqui dizer (a Mariano Nhongo) para se entregar porque nós não queremos nos dis
trair a combater irmãos que sabem muito bem que podem conviver com os irmãos sem nenhum problema”, disse o estadista moçambicano, explicando que a entrega do líder da Junta Militar é algo inevitável.
Referiu que nos últimos dias fechou uma antiga base da Renamo em Zóbuè e que os antigos guerrilheiros daquela formação política estão a aderir ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) e que podem ficar tranquilos que nada de mal irá acontecer contra a sua integridade física.
Aliás, disse Nyusi, o país não pode ficar parado por causa de algumas desavenças entre irmãos, primos ou colegas. Nyusi disse que o convite para o regresso a convivência familiar é extensiva aos terroristas de Cabo Delgado que aderiram voluntariamente ao extremismo, aos que foram enganados e aos que foram
integrados compulsivamente.