A falta de mercado no sector de aviação civil está a ditar o atraso na aquisição, pela empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), de três aeronaves no âmbito do contrato de compra rubricado com a fabricante norte-americana Boeing. Com o objectivo de au-mentar a sua oferta e, consequentemente, fazer face à demanda do mercado, a LAM oficializou em Maio de 2014, o acordo para a aquisição dos aviões da Boeing.

LAM celebra 10º aniversário da rota Maputo/Dar-Es-Salaam | Olá Moçambique
LAM, Linhas Aereas de Moçambique

Entretanto, o director-geral da companhia aérea moçambicana, João Pó Jorge afirmou que “a aquisição está propositadamente atrasada, uma vez que a empresa não tem ainda mercado para operar com as aeronaves”.

“Para operar uma aeronave destas que, vale entre 80 e 120 milhões de dólares é preciso ter um mercado, com rendimento garantido, razão pela qual estamos a atrasar a sua compra”, explicou João Pó Jorge, na terça-feira a jornalistas em Maputo.

O director-geral da LAM referiu-se ainda da dívida que a empresa acarreta do passado, avaliada em cerca de 230 milhões de dólares, conforme reportado nos relatórios e

contas disponíveis no site da empresa e que são resultantes dos compromissos com bancos, fornecedores domésticos e externos.

“O importante é que o prejuízo operacional reduziu nos últimos dois anos. Em 2021, caso a pandemia alivie e a empresa comece a operar com regularidade, aproveitando

devidamente os recursos disponíveis, o balanço financeiro poderá ser positivo”, frisou Pó Jorge.

Na ocasião, a fonte relevou também que, dependendo do comportamento do mercado, a LAM tem em vista operar, em 2030, com uma frota de entre 15 e 20 aviões próprios. “Tudo depende de como o mercado se vai apresentar e da maneira como nós ambicionamos atingir esse mercado.

Para já, estamos atentos ao desenvolvimento do turismo em Inhambane [sul do país] e reabrimos a linha de Nacala [na província nortenha de Nampula], devido aos grandes projectos em curso”, frisou.

Actualmente, a empresa Linhas Aéreas de Moçambique opera com quatro aeronaves alugadas, num contrato em que a tripulação, manutenção e seguro dos aviões está sob responsabilidade da própria companhia.

(AIM)

Tel/JSA