Por Rosa Inguane, da AIM, em Nacala

O Chefe de Estado moçambicano e presidente em exercício da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) convida os Estados Membros desta organização regional e parceiros de cooperação para abraçarem a iniciativa materializada no Centro de Operações Humanitárias e de Emergência (COHE), cujo lançamento ocorreu esta segunda-feira (21), na cidade portuária de Nacala, província de Nampula, norte de Moçambique.

O estadista moçambicano fez o convite na companhia do seu homólogo do Botswana, Mokgweetsi Masisi, e outras personalidades que participaram no evento. Nyusi alertou que a magnitude do impacto humanitário das crises que se registaram durante a sua presidência impeliu-o a procurar fazer
um alinhamento das prioridades da política externa com as da acção interna.

“Apelamos a outras organizações internacionais e parceiros de cooperação para abraçarem esta iniciativa da SADC com acções concretas, mas com sentido de urgência e de forma efectiva. Queremos, deste modo, lançar o repto ao Secretariado dos estados membros para contribuir no salvamento de muitas vidas e proteger infra-estruturas económicas”, afirmou.

“A única condição que Moçambique impõe é que a infra-estrutura sirva
para antecipar, preparar e responder as necessidades de protecção e ajuda dos nossos povos face a desafios que não conhecem fronteiras”, anotou.
Nyusi destacou a importância deste concerto regional, pois, o futuro, anunciado em relação as mudanças climáticas assim o determinam.


Sobre os desafios que a região e Moçambique enfrentam, o presidente da SADC disse que “Estamos perante um triplo desafio. Os hediondos e cobardes ataques terroristas, em algumas partes de Cabo Delgado, os devastadores efeitos das mudanças climáticas na forma de ciclones, cheias e secas e a pandemia da Covid-19”, apontou.

O estadista moçambicano anotou que o facto de Moçambique e a região não contribuírem para a origem das actuais crises não minora o sofrimento.
“O facto de não contribuirmos para a origem de qualquer destas crises em nada alivia e minimiza o enorme preço humanitário que os povos da SADC, e o moçambicano, em particular, têm vindo a pagar. Consideramos este
acto, uma resposta concreta aos desafios decorrentes das mudanças climáticas e ao desígnio que nos propusemos quando assumimos a presidência da SADC, o de prosseguirmos uma agenda orientada
para resultados”, ressaltou.

Para melhor ilustrar a importância do centro humanitário instalado em Nacala-Porto e que começou a operar esta segunda-feira, Nyusi citou dados
que dão conta que Moçambique sofreu perdas incalculáveis nas duas últimas décadas, por causa das mudanças climáticas.

“De acordo com uma recente avaliação do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Moçambique perdeu, por ano, nas últimas duas décadas, cerca de 150 milhões de dólares norte-americanos devido
aos efeitos das mudanças climáticas. Decorre, deste facto, que o investimento em iniciativas com o seu múltiplo propósito de pré-aviso, intervenção durante e pós-calamidade e reforço da resiliência, não só se justificam por razoes humanitárias, mas também com imperativos de
índole económico-social”, disse.

Com relação aos mais recentes ciclones que se abateram sobre Moçambique e alguns países membros da SADC, Nyusi recordou os inúmeros danos causados como a perda de 800 vidas humanas. “Em 2019, o ciclone tropical IDAI, classificado como o pior a atingir a região da SADC na sua história mais recente, afectou três estados membros, Malawi, Moçambique e Zimbabwe. O IDAI deixou um raio de destruição na região que resultou em cerca de 800 vidas perdidas nos três países afectados, 2.500 pessoas
feridas e perto de três milhões de pessoas afectadas”, disse.


Além disso, “o IDAI causou danos extensivos em infra-estruturas, mais de três mil salas de aula destruídas, prejudicando mais de 300 mil alunos.
Mais de 54 unidades sanitárias foram também destruídas, e aproximadamente 788 mil e 822 hectares de terras cultivadas e colheitas ficaram praticamente destruídas, para além de centenas de cabeças de gado perdidas, agravando a já, de si, precária situação de segurança alimentar nas zonas atingidas”.

De acordo com o Presidente, o impacto das mudanças climáticas acabaram por ser o mote para Moçambique oferecer-se para acolher o centro
humanitário e de emergência. “Particularmente, no domínio da acção humanitária, para conter o impacto e perdas resultantes dos cataclismos
climáticos recentes, os ataques da pandemia, o imperativo de procura de soluções reais e colectivas, tornou-se um elemento essencial tanto da
nossa segurança nacional tanto da política externa”, frisou.


O Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi, manifestou o apoio total do seu país a esta iniciativa da SADC. “A SADC concede uma grande importância a este centro que tem como propósito prestar serviço aos países membros afectados por desastres e emergências. A iniciativa deriva do entendimento e convicção de que juntos podemos fazer melhor”, afirmou.


A iniciativa visa dotar a região Austral de África de instrumentos e instituições para fazer face aos desafios decorrentes do impacto das mudanças climáticas e outras emergências associadas que requerem uma intervenção rápida, coordenada e atempada em qualquer estado membro da SADC.
(AIM)

RI/Tel/JSA