O pesquisador do Centro de Integridade Pública (CIP), Borges Nhamirre, acusa os Guardas prisionais do Estabelecimento Penitenciário Especial para Mulheres de Maputo (EPEMM), mais conhecida como Cadeia Feminina de Ndlavela, na província sulista moçambicana de Maputo, de forçar reclusas à prostituição.

Reclusas são submetidas a rede de exploração sexual na cadeia de Ndlavela -  MMO
Reclusas de Ndlavela, Província de Maputo

Durante a apresentação de uma investigação conduzida pelo CIP, Nhamirre disse que os guardas prisionais da quele estabelecimento penitenciário obrigam as reclusas a saírem da cadeia para se prostituírem, a troco de valores monetários que variam de três até 30 mil meticais (cerca de 48 a 480 dólares americanos).

Para Nhamirre, a denúncia é fruto de uma investigação conduzida, por um período de seis meses, pelo CIP. Para o efeito, vincou que os investigadores desta organização não governamental anticorrupção fizeram-se passar por clientes para se infiltrarem na rede de exploração sexual de reclusas.

Nhamirre explicou que o trabalho investigativo na cadeia feminina de Ndlavela foi feito com auxílio de câmaras escondidas que captavam som e imagens do esquema de exploração sexual. Clarificou no entanto que os rostos e vozes das mulheres vítimas de abuso foram alterados digitalmente para impossibilitar a sua identificação.

Ainda segundo Nhamirre, os vídeos e as fotos originais foram mantidos em um lugar seguro para posteriormente entregá-los às autoridades legais para uma investigação oficial sobre o escândalo.

“Alteramos para proteger as vítimas como é de lei, mas também para proteger os guardas que, até ao momento são inocentes. Por isso, ocultamos as imagens, distorcemos as vozes e fizemos o máximo possível para que seja impossível identificar quem são as vítimas porque são mães, esposas e esperam sair um dia da cadeia e continuar as suas vidas. Mas nós temos as imagens originais que vamos submeter as autoridades competentes para que a investigação seja realizada”, explicou.

A fonte disse que em três ocasiões, os pesquisadores do CIP solicitaram e foram lhes entregues jovens reclusas que cumprem penas na cadeia
feminina de Ndlavela, a troco de pagamentos de valores monetários aos guardas prisionais.

“Ao invés de abusar as mulheres nós entrevistamos a elas sem o seu consentimento porque elas não teriam coragem de conceder as entrevistas.
Foi através de uma simples conversa que conseguimos extrair as informações”, afirmou.

O pesquisador explicou que na primeira ocasião, as reclusas foram retiradas pelos guardas prisionais da cadeia feminina de Ndlavela para o Hospital Central de Maputo, fingindo que iam a uma consulta médica e no hospital. Depois as vítimas foram entregues aos investigadores do CIP, disfarçados de clientes.


“Em outras duas ocasiões, as reclusas foram retiradas da cadeia pelos guardas e entregues aos investigadores do CIP numa pensão localizada a poucos metros do estabelecimento penitenciário”, apontou.


Nhamirre disse esperar que depois dessa investigação o Ministério Público
e o Ministério da Justiça identifiquem as pessoas envolvidas, uma vez que existem imagens claras e os nomes dos guardas envolvidos para que, acima de tudo, eliminem a exploração sexual de reclusas.

Para assegurar que a reclusa não desapareça nos meandros sexuais, os guardas agiram em de quatro ou mais. Os armados ficavam discretos. Os outros ficavam nas imediações ate o fim do ”negocio”.

(AIM)

Tel/AMQ/JSA