Chefe do Programa Mundial de Alimentos visita Coreia do Norte | ONU News
David Beasley, Director-Executivo do PMA

O director-executivo do Programa Mundial de Alimentação (PMA), David Beasley, reconhece o esforço do governo moçambicano em prestar apoio necessário aos mais de 700 mil deslocados dos ataques terroristas que se registam em alguns distritos da província nortenha de Cabo Delgado.


Falando segunda-feira [14], em Maputo, durante uma audiência que lhe foi concedida pela ministra moçambicana dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, Beasley afirmou que o PMA tem também estado a prestar assistência para travar o impacto da crise humanitária em Cabo Delgado.

“A nossa relação tem sido de bastante sucesso com o governo de Moçambique”, disse o director-executivo, que iniciou segunda-feira uma visita de trabalho a Moçambique. Sublinhou que a assistência prestada pelo PMA no país tem surtido “efeitos desejados” para as populações.

Os ataques terroristas em Cabo Delgado, que iniciaram em Outubro de 2017, provocaram centenas de mortes, destruição de infra-estruturas
públicas e privadas, além de paralisação de importantes projectos de desenvolvimento do país, tal como a instalação da fábrica de Gás Natural Liquefeito liderada pela petroquímica francesa Total.

No entanto, Beasley apontou aos dois eventos ciclónicos, Idai e Kenneth, que devastaram o centro e norte do país, destruindo bens das populações, afirmando que o PMA esteve e continua activo a ajudar na recuperação da
vida das populações naquelas regiões.

“Temos feito tudo o que podemos para ajudar a todas as populações que perderam seus bens, suas terras, e tudo o que necessitam para um bem-estar”, disse.

Aliás, a cimeira do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) que terminou domingo [13] decidiu desembolsar cerca de sete biliões de dólares para apoiar a milhões de pessoas à beira da fome em todo mundo, incluindo Moçambique.

Por seu turno, Verónica Macamo reconhece as dificuldades existentes para assistir as populações vítimas do terrorismo em Cabo Delgado, por isso
reiterou o apelo do governo para o reforço do apoio, sobretudo em alimentos.

“São pessoas que deixam tudo. Deixam a produção, as suas crias, o seu habitat, e muitas vezes só saem com a roupa do corpo e mais nada”, afirmou a governante, vincado que o número de deslocados tende a
aumentar devido ao receio de as populações regressarem as
regiões de origem.

“As populações precisam de muito apoio”, disse. A ministra afirmou que o Executivo sentiu o apoio do PMA logo após o país ter sido fustigado pelo ciclone Idai, reconhecendo a magnitude do desastre catastrófico.

“Como todos sabemos não há ninguém que esteja a espera que se abate sobre ele, ou sobre uma comunidade, um desastre daquelas dimensões.
Mas graças ao vosso apoio, nós conseguimos mitigar o sofrimento da nossa população”, disse.

Beasley deverá manter um encontro com o Presidente da República, Filipe Nyusi, o momento mais alto da sua visita de quatro dias ao país.
O director-executivo deverá ainda visitar os campos de acomodação dos deslocados em Cabo Delgado.

Esta constitui a segunda visita de Beasley a Moçambique, desde que assumiu a função em 2017. A primeira vez que esteve no país, foi após a passagem do Idai pela província central de Sofala.
(AIM)