O acesso à água em algumas unidades sanitárias da cidade e província de Maputo, assim como de Inhambane, zona sul do país, ainda está a quem das necessidades, facto que obriga os pacientes ou seus acompanhantes a levarem água das suas residências para uso nos centros de saúde.

A constatação é feita pelo Observatório Cidadão para Saúde (OCS), uma organização não-governamental, através de um estudo lançado hoje (10), em Maputo, sobre a problemática da falta de água e de infra-estruturas básicas nas unidades sanitárias.

A pesquisa abrangeu 11 centros de saúde nomeadamente Tenda, Romão, Pescadores e 01 de Junho (cidade de Maputo), Ndlavela, Matola 2, Matola Gare e Machava (província de Maputo), e Macuamene, Bembe e Tinga-Tinga (Inhambane), com a duração de dois meses.

O acesso à água nas unidades sanitárias é pertinente, mas uma boa parte dessas mesmas unidades possuem problemas de acesso ao precioso líquido.

“Algumas por questões de limitada infra-estrutura de abastecimento de água, outras por questões ligadas a deficitária manutenção periódica dos sistemas de abastecimento de água que já existem″, disse o coordenador da OCS, Sidónio Tembe.

Disse que a pesquisa visa contribuir para o processo de planificação pública no sector de saúde, através da avaliação e apresentação do grau de satisfação das necessidades básicas dos utentes e outros seguimentos que se interessam pela melhoria do sector e do Sistema Nacional de Saúde.

″Este estudo tem como objectivo contribuir para o processo de planificação pública no sector de saúde e no desenho de uma estratégia de resposta ao sector no que diz respeito a provisão de água nas unidades sanitárias″, afirmou.

Tembe disse que inicialmente a pesquisa devia ter sido feita apenas na província de Maputo, mas decidiu-se incluir a província de Inhambane para servir de “província de controle”, tendo se constatado que a falta de água é notória em ambas as províncias.

No entanto, os motivos associados ou justificados pelos cidadãos como razões conducentes à falta de água divergem. Por exemplo na província de Inhambane a falta de água está associada a exiguidade de torneiras e em alguns casos do não funcionamento de algumas fontes do precioso líquido.

Já na cidade e província de Maputo, segundo Tembe, a falta de água nas unidades sanitárias está, maioritariamente, associada a falta de manutenção periódica das fontes de abastecimento e noutras, o sistema é muito limitado e com poucas torneiras.

A fonte afirmou que a pesquisa não traz uma resolução completa dos problemas nas unidades sanitárias e nem irá resolver a questão da disponibilidade de água, mas aponta indícios e focos específicos cuja resolução pode, através de um efeito multiplicador, conduzir à resolução de outros focos existentes a nível de províncias específicas, assim como a nível do país.

″Se as entidades públicas competentes averiguarem a autenticidade científica do estudo, apropriarem-se dos resultados, irem as unidades sanitárias mencionadas na pesquisa, e os problemas levantados forem resolvidos, seria um passo ou seja o estudo terá contribuído e alcançado boa parte dos resultados″, explicou.

Embora reconheça que a provisão dos serviços básicos de manutenção não depende das unidades sanitárias, Tembe defende que deve haver uma descentralização administrativa das competências acompanhada de um processo de descentralização orçamental entre entidades gestoras do sector de saúde.

″No entanto, o orçamento para a resposta ou manutenção da capacidade de resposta para provisão de serviços não depende das unidades sanitárias em si, muito menos das entidades próximas. O processo burocrático para o orçamento chegar na execução de algumas obras de manutenção de alguns serviços básicos nas unidades sanitárias leva tempo″, referiu.

Acrescentou que esse processo acaba fazendo com que um problema que era unitário se transforme em problemas graves.

O estudo abrangeu cerca de 350 informantes-chave, nomeadamente provedores de saúde, membros dos comités de co-gestão e humanização, organizações da sociedade civil, incluindo utentes e beneficiários dos serviços de saúde que não eram utentes na altura da realização de pesquisa.
(AIM)
AMQ/mz