Pelo menos 1.500 pessoas que fugiram de Palma para Tanzânia na sequência do ataque de 24 de Marco àquela vila da província nortenha moçambicana de Cabo Delgado foram deportados neste mês, avançou o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), citado por agencias internacionais.

Os grupos são maioritariamente compostos por crianças e mulheres e terão caminhado durante dias nas matas até chegarem à Tanzânia, de onde viriam a ser deportados para Negomane, uma vila de Cabo Delgado localizada na fronteira com a Tanzânia, na confluência entre rios Rovuma e Lugenda, disse o porta-voz do ACNUR Boris Cheshirkov, durante uma conferência de imprensa em Genebra.

“O ACNUR está alarmado com relatos de que os moçambicanos foram deportados à força e impedidos de pedir asilo”, declarou Boris Cheshirkov.

O grupo deportado foi acolhido num espaço com tendas de organizações das Nações Unidas em Negomane, situada no posto administrativo  de Mueda, a quase 147 quilómetros de Palma.

“As pessoas disseram ao ACNUR que caminharam durante dias até ao rio Rovuma, cruzando-o de barco para chegar à Tanzânia, de onde foram devolvidos pelas autoridades”, acrescenta a entidade, que avança ainda que os grupos terão sido interrogados por oficiais daquele país e aqueles que não ofereceram provas da nacionalidade tanzaniana foram deportados através de um ponto de fronteira diferente.

Segundo o ACNUR, as condições em Negomano são terríveis e há falta de alimentação, água e serviços de saúde, uma situação agravada pelo facto de a assistência humanitária estar a chegar de forma limitada à região.

“A situação é particularmente desesperante para as mães solteiras, que agora estão em Negomano sem o apoio da família”, acrescentou Boris Cheshirkov, apelando aos dois governos para que seja respeitado o princípio da unidade familiar.

A vila de Palma, a cerca de seis quilómetros do projecto de gás natural da multinacional Total, sofreu um ataque armado a 24 de Marco, que as autoridades moçambicanas dizem ter resultado na morte de dezenas de pessoas e na fuga de milhares.

(AIM)

Notícias/Lusa/JSA