A Consultora NKC African Economics considerou que o presidente da África do Sul está numa situação difícil devido ao pedido de extradição do antigo Ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, feito pelas autoridades moçambicanas.

“Se a África do Sul extraditar Manuel Chang para o seu país natal e se ele não for responsabilizado, Ramaphosa abre o flanco à acusação de cumplicidade numa altura em que está a tentar libertar o seu Governo da reputação de corrupção”, escrevem os analistas da filial africana da Oxford Economics.

No comentário ao pedido de extradição apresentado na semana passada, a consultora vinca que “é pouco provável que o antigo ministro das Finanças moçambicano enfrente a justiça no âmbito do seu alegado envolvimento no esquema das dívidas ocultas em Moçambique” e lembra que já passaram cinco anos sobre a alegada prática de corrupção.

“O atraso na decisão final sobre a sua extradição também não é surpreendente, já que os chefes de Estado regionais têm muitas vezes dado prioridade à relação entre as partes governantes, e não à responsabilização daqueles que são acusados de ofensas”, acrescentam os analistas, defendendo que Cyril Ramaphosa deve “ter cuidado”.

O Governo moçambicano pediu à Justiça sul-africana para “obrigar” Pretória a extraditar “sem mais demora” o antigo ministro das Finanças Manuel Chang, detido há mais de dois anos na África do Sul por fraude e corrupção no seu país.

De acordo com o pedido submetido sexta-feira, no Tribunal Superior de Gauteng, em Joanesburgo, o Governo moçambicano queixa-se que “um período excessivamente longo prescreveu”, salientando que o ministro da Justiça sul-africano, Ronald Lamola, “falhou e/ou está a negligenciar o exercício da sua decisão conforme ordem do tribunal”.

As autoridades do nosso país  sublinham que a detenção do antigo ministro das Finanças desde 2018 na África do Sul, “viola” o direito de Manuel Chang à justiça, mantendo-o na prisão a aguardar extradição para Moçambique ou para os Estados Unidos da América (EUA) para enfrentar acusações de corrupção e fraude financeira pelo seu papel nas chamadas ‘dívidas ocultas’ no valor de 2,2 mil milhões de dólares em Moçambique.

(AIM)

Noticias/Lusa/JSA