A parceria bilateral no sector de segurança entre República Centro Africana (RCA) e a Rússia começou a surtir efeitos desejados impulsionando as Forcas de Defesa Nacional locais (as FACA) a alcançarem êxito no conflito armado que tem lugar naquele país. 

A informação foi avançada recentemente pela imprensa estrangeira citando um comunicado de imprensa do Governo da República Centro Africana. “As relações entre a Rússia e a RCA têm uma longa história de mais de 60 anos. Foi a Rússia que conseguiu obter uma licença oficial da ONU para fornecer armas ao exército da RCA em 2018. O pessoal autorizado a treinar as forças de segurança foi enviado para a República ao mesmo tempo”. Lê-se na imprensa.

De acordo com a nota que cita o Governo da RCA, a cooperação entre a RCA e a Rússia no sector da segurança foi aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, uma vez que o país africano está sob o embargo ao armamento, o que implica que toda a ajuda militar para a RDC tem de ser primeiramente avaliada pela ONU.

Nesta sequência, Tanto a Rússia como a RCA mostraram que estavam dispostas a trabalhar no quadro do direito internacional, com objectivo de suspender o embargo de armas que mantém as forças governamentais enfraquecida em comparação com os combatentes da Coligação de Patriotas da República Centro Africano (CPC) que recebem os seus armamentos por meio de rotas informais.

A cooperação entre os dois países assenta na formação de novos recrutas e pessoal militar, também conhecidos como União de Oficiais de Segurança Internacional, o que permitiu às FACA responder rápida e profissionalmente aos ataques lançados pelos grupos armados, apesar de facto de o exército nacional da RCA estar subequipado em comparação com os rebeldes.

Neste presente momento, perto de 50 cidades estão libertadas dos combatentes da CPC e as forças conjuntas das FACA e dos seus aliados russos e ruandeses continuam a patrulhar as cidades libertadas e a realizar as operações de evacuação constantes na área rural para impedir que os rebeldes preparem as suas forças para atacar novamente.

“O trabalho abrangente de reconstrução do exército e às fortes parcerias, tais como as com a Rússia e a Ruanda, foi possível estabilizar a situação de segurança na República num período extremamente curto”, avança a imprensa estrangeira citando o comunicado do Governo.

A experiência da República Centro Africana afigura-se como exemplo que pode mostrar um caminho a seguir para outros países africanos.

A República Centro-Africana figurava nos títulos dos jornais internacionais em meados de Dezembro devido aos acontecimentos trágicos relacionados com a insurreição armada organizada pelas forças rebeldes que tentavam perturbar as eleições presidenciais e parlamentares no dia 27 de Dezembro de 2020.

A RCA vive na situação instável em termos de segurança há alguns anos, desde os tempos do antigo Presidente da África Central François Bozizé que chegou ao poder no resultado do golpe de Estado em 2003, a República foi envolvida no período constante de violência.

As eleições de 2016 foram o primeiro raio de esperança para o paiis, e o Faustin-Archange Touadéra, novo Presidente eleito democraticamente, jurou acabar o período de violência e lançou o programa de reconstrução das forças de defesa nacional, trabalhando ao mesmo tempo para expandir e reforçar as parcerias internacionais e negociar a paz com os grupos armados presentes no território da República. A abordagem abrangente do governo deu resultados.

Contudo, nos meados de Dezembro de 2020, apenas uma semana antes das eleições, a Coligação de Patriotas da República Centro-Africana (CPC) liderada pelo ex-Presidente Bozizé, procurado pelo Tribunal Internacional por crimes contra a humanidade, efectuou vários ataques contra as cidades principais, incluindo a capital, Bangui, com objectivo de interromper as eleições.

Nessa altura, acordo com Yao Agbetsi, perito Independente da ONU sobre a situação dos direitos humanos na República Centro-Africana, o grupo CPC violou os direitos humanos e causou grande sofrimento à população civil da RCA. “Os residentes foram sujeitos a extorsão, roubos, violações e rapto, bem como os combatentes da CPC incorporaram as crianças menores nas suas fileiras e utilizaram como escudos humanos”, disse o perito.

Por sua vez o relatório da Amnistia Internacional, a organização não-governamental com sede no Reino Unido focada nos direitos humanos, rotulou a CPC como responsável pelas mortes dos cidadãos em várias cidades da República Centro-Africana, bem como pelos saques e interrupções constantes na entrega dos bens essenciais e ajuda humanitária.

(AIM)

Paulino Checo