A busca de mais investimentos para Moçambique e assegurar aos parceiros internacionais de cooperação que o país é seguro para se apostar nele estão entre os principais objectivos da visita de trabalho de três dias que o Presidente da República, Filipe Nyusi, efectua desde Domingo (16) à França.

Nyusi está em Paris por duas razões: para uma visita bilateral e participar na Cimeira sobre o Financiamento das Economias Africanas, prevista para Terca-feira (18).

Promovida pelo Chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, a cimeira deve reunir presencial e virtualmente mais de quinze líderes africanos, europeus e chefes de organizações e de instituições financeiras internacionais que, em um dia, deverão apresentar propostas concretas sobre o difícil problema de financiamentos aos países africanos perante as pesadas e sufocantes dívidas que possuem.

Embora importante a participação do Chefe do Estado moçambicano na cimeira, para os interesses imediatos do país olha-se mais para resultados dos encontros que Nyusi deve ter hoje e amanhã com Macron e com os líderes de importantes empresas francesas, em particular com o presidente do Conselho de Administração (PCA) da Total, Patrick Jean Pouyanné.

Com um montante de 20 mil milhões de dólares, o investimento da Total no gás da Bacia doRovuma é o maior e mais importante em Moçambique, com promessa de contribuir grandemente para o desenvolvimento do país.

Entretanto, a gigante petrolífera francesa suspendeu recentemente as suas operações em Afungi, Cabo Delgado, na sequência do ataque terrorista de Março à vila de Palma, justificando com problemas de segurança.

Aliás, a questão da segurança deverá dominar as conversações de Filipe Nyusi com Emmanuel Macron, bem como com as empresas francesas.

O Presidente deve transmitir ao governo e demais parceiros económicos franceses o empenho do executivo moçambicano no estabelecimento das condições de segurança no país, e em Cabo Delgado, particularmente, para o bem das comunidades locais e de todos os investimentos na província.

Aliás, as autoridades moçambicanas procuram mobilizar o apoio político e humanitário para o desenvolvimento socioeconómico integrado da região norte do país, no quadro da estratégia de uma abordagem holística de combate ao terrorismo.

Neste aspecto, Paris propõe um acordo sobre segurança marítima no Canal de Moçambique, através do qual poderia implicar mais a França na luta contra o terrorismo no norte do país.

No encontro com o seu homólogo francês, o Presidente moçambicano vai também procurar garantir o apoio de Paris à candidatura de Moçambique a membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU para o biénio 2023/2024. As eleições terão lugar em 2022.

O Presidente da República é acompanhado nesta visita pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo Dlhovu;da Economia e Finanças, Adriano Maleiane; dos Recursos Minerais e Energia, Ernesto Max Tonela;embaixador de Moçambique na República Francesa, Alberto Maverengue Augusto;quadros da Presidência da República, do Banco de Moçambique e de outras instituições do Estado.

Noticias/JSA