O antigo Secretário-Executivo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), o moçambicano Tomaz Salomão, desaconselha, por enquanto, o envio de tropas estrangeiras para o combate ao terrorismo, em Cabo Delgado.

Em entrevista à Televisão de Moçambique, publicada este domingo, Tomaz Salomão diz que os apoios devem ser disponibilizados nos termos apresentados pelo Governo.

“Deem o apoio nos termos em que foi pedido pelo governo de Moçambique, sobretudo logística e treino. As experiências do mundo mostram que a presença de tropas estrangeiras no território, a partir do momento em que isso acontece, as tropas entram e nunca mais saem. Nós aqui em Moçambique já tivemos tropas estrangeiras. Eu recordo-me que o Presidente da República, no então, Joaquim Chissano, teve que ir a um encontro na Zambézia com a população e o que a população estava a pedir é que retirassem as tropas estrangeiras. Então, cabe a este país que se chama Moçambique ser ele próprio a construir a sua defesa e a defender-se”, disse.

O Antigo Secretário-executivo da SADC disse ainda estranhar que ataque realizado a vila de palma pelos terroristas a 24 de Março, passado ter acontecido logo depois da petrolífera TOTAL ter anunciado a retoma das suas actividades na Área 1 da Bacia do Rovuma, depois de restabelecidas as condições de segurança.

“O governo e a TOTAL anunciam, vamos retomar os trabalhos, estão criadas as condições depois de um interregno. Dois dias depois há um ataque, o que quer dizer que este ataque já estava a ser planificado, preparado, só se estava à espera do momento de ser dito, carregue no gatilho”, disse.

(AIM)

Notícias/RM/JSA