H.E. Bishop Lucio Andrice Muandula - The International Catholic Migration  Commission (ICMC)

Os membros do Comitê Permanente da Associação Inter-Regional dos Bispos da África do Austral (IMBISA), representando Moçambique, Angola, Botswana, Eswatini, Lesoto, Namíbia, São Tomé e Príncipe, África do Sul e Zimbábue, reflectiram em Abril último, em Joanesburgo, África do Sul, no para avaliar e reflectir sobre a situação sócio-política e eclesial na África Austral.

Nas reflexões partilhadas ficou claro que a Região da África Austral está a atravessar um período difícil que, a sua optica pode ser melhorado através dos esforços de todas as pessoas de boa vontade da Região e não só.

Segundo o Presidente da IMBISA, Lucio Andrice Muandula, que e’ igualmente Bispo de Xai-Xai, capital da provicia sulista mocambicana de Gaza, o Comitê  reflectiu igualmente sobre os tristes desenvolvimentos na Província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, especialmente na cidade de Palma, que foi atacada recentemente com a resultante perda de vidas humanas e meios de subsistência.

Imbisa

‘’O deslocamento de mais de meio milhão de cidadãos na Província de Cabo Delgado significou que muitos residentes não poderão desfrutar de uma vida normal onde possam criar seus filhos em paz e tranquilidade’’, lê-se um documeto circulado pelo Bispo Muandula, onde se descreve igualmente que ‘’também os idosos, tendo passado muitos anos naquela terra, foram desarraigados e forçados a fugir. Isso significa que não podem desfrutar da beleza da velhice que lhes permite manter uma certa relação com a terra onde cresceram’’.

Para o Bispo Muandula, no encontro reflectiram igualmente sobre a situação da população em geral na região, especialmente sobre as dificuldades enfrentadas pelos jovens. Alguns passaram longos períodos sem instrução escolar devido às restrições ocasionadas pela pandemia Covid-19. Mesmo com a aprendizagem passando online em alguns casos, a pandemia de Covid-19 simplesmente revelou os problemas de desigualdades sistêmicas na esfera econômica em nossos diferentes países, com os jovens mais pobres incapazes de acessar essas plataformas online.

Num outro desevolvimeto, a fonte refere que ‘’alguns jovens foram deixados para trás, pois os de sociedades mais ricas progrediram facilmente com a sua educação. O problema da desigualdade, especialmente na esfera econômica, tem deixado muitos jovens expostos à exploração por parte de quem fomenta a violência e outros males sociais. Como resultado de uma certa privação de direitos, alguns jovens tendem a migrar para ganhar a vida em outro lugar, longe de casa e de seu ambiente normal’’.

Para a mesma fonte, as questões acima indicadas ofendem a dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26). O direito à vida é sacrossanto e, portanto, deve ser protegido, promovido e preservado em todos os momentos. Relacionado ao direito básico à vida está o direito de um povo viver em paz onde possa gozar livremente os frutos da terra. “Deus os abençoou e disse-lhes: ‘sejam fecundos e multipliquem-se, encham a terra e subjugem-na’”, vincou a fonte, citando Gênesis 1:29.

Apesar dos momentos sombrios mencionados acima, o Bispo Muandula também afiança que convém indicar alguns desenvolvimentos positivos em alguns dos assuntos acima mencionados. Assim, para ele aplaudimos a recente declaração emitida pela Conferência Episcopal de Moçambique condenando a violência em Cabo Delgado.

Para o Bispo Muandula, ‘’gradecemos os esforços positivos da Igreja e de outras entidades que continuamente assistem as vítimas de violência naquela Região. Em particular, queremos expressar o nosso apoio e orações ao Administrador Apostólico da Diocese de Pemba e Bispo Auxiliar de Maputo D. António Juliasse Sandramo, pelo seu acompanhamento contínuo a todas as pessoas afectadas pelo conflito. Estamos também encorajados pelos esforços da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) para encontrar uma solução duradoura para os problemas que envolvem aquela Região’’.

Os Bispos apelaram, ainda durante o encontro, ’’à SADC e à União Africana para que se empenhem mais na resolução da crise que se desenrola naquela Região’’, bem como ao Governo de Moçambique ‘’para que não poupe esforços no envolvimento da Comunidade Internacional de forma a fazer face à violência em Cabo Delgado que, infelizmente, resultou na perda de vidas e meios de subsistência’’.

A fonte refere ainda que ‘’apelamos ainda aos nossos governos da Região para que repensem os sistemas económicos que sempre foram implementados, uma vez que não estão sendo bem sucedidos em lidar com as desigualdades económicas prevalecentes actualmente. Os jovens devem estar no centro de todo desenvolvimento económico dos países da Região’’.

(AIM)

JSA