AS Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique estão a desdobrar-se no terreno para garantir um regresso seguro da população à vila-sede do distrito de Palma, norte da província de Cabo Delgado, após os ataques terroristas da quarta-feira passada.

A garantia foi dada ontem à noite, em Maputo, pelo porta-voz do Ministério da Defesa, coronel Omar Saranga, que falava em conferência de imprensaconvocada para dar conta da evolução do trabalho que as FDS estão a fazer para neutralizar os terroristas. Assegurou que todas as posições das FDS estão sob seu controlo, ao mesmo tempo que procuram eliminar bolsas de resistência e ataques esporádicos.

Explicou que os terroristas entraram na vida-sede de Palma de forma dissimulada, o que dificultou a sua identificação, e assassinaram dezenas de pessoas indefesas e destruíram algumas infra-estruturas do Estado.

Segundo o dirigente militar, a acção das FDS permitiu a evacuação de outras centenas de cidadãos nacionais e estrangeiros, e evitaram que infra-estruturas e bens fossem severamente vandalizados e pilhadospelos terroristas.

Lamentou a morte de sete cidadãos numa emboscada dos jihadistas a uma coluna de viaturas em que se se faziam transportar na tentativa de fuga no momento do ataque ao Hotel Amarula, onde, segundo fontes, os terroristas se apoderarem de bens.

As FDS apelam à toda a população em Palma para continuar a manter-se calma, vigilante e denunciar prontamente às autoridades qualquer actividade suspeita. “As FDS reafirmam a sua tenacidade de defender a integridade territorial, bem como a protecção dos cidadãos e dos interesses nacionais, sob a liderança do seu Comandante-Chefe, Filipe Nyusi”, disse.

Segundo a Televisão de Moçambique (TVM), prevalecia ontem a falta de comunicações com a vila-sede de Palma. Sobreviventes entrevistados pela televisão pública na cidade de Pemba descrevem um cenário arrepiante vivido durante os ataques da quarta-feira.

Pelo menos 100 trabalhadores da multinacional Total desembarcaram na tarde de ontem no Aeroporto Internacional de Maputo.

Entretanto, devido ao ataque, a petrolífera Total anunciou a suspensão da remobilização dos trabalhos para a retomada das actividades, no âmbito do projecto de construção da fábrica de liquefacção de gás em Afungi.

Em nota avançada no sábado,  a multinacional francesa expressa a sua solidariedade e apoio à população de Palma, aos familiares das vítimas e às pessoas afectadas.

Acrescenta que após o ataque à vila de Palma, localizada perto do estaleiro do Projecto Mozambique LNG em Afungi, a Total está a acompanhar a situação atentamente, em conjunto com as autoridades e as equipas locais.

“A prioridade absoluta da Total é garantir a segurança e a protecção das pessoas que trabalham no projecto.A Total confirma que não há vítimas entre a equipa a trabalhar no estaleiro do projecto em Afungi”, salientou.

Na nota, a companhia, que manifesta confiança no Governo, considera também que decidiu reduzir ao nível mínimo a força de trabalho no estaleiro em Afungi.

O ataque ocorreu um dia após a Total e o Governo moçambicano terem anunciado a retoma, para breve, dos trabalhos de construção da fábrica para a exploração do gás natural em Afungi.

Os trabalhos haviam sido interrompidos devido a um outro ataque nas imediações do recinto de construção, no final do anopassado.

(AIM)

JMacie/Noticias/JSA