A prevalência de riscos e incertezas obrigam o Banco de Moçambique a não mexer as taxas de juro de política monetária, da facilidade permanente de depósitos e de levantamentos. Segundo um comunicado do Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, emitido quarta-feira, 17 de Março, as taxas MIMO, Facilidade Permanente de Cedência (FPC) e Facilidade Permanente de Cedência (FPC), mantêm-se nos 13,25%, 10,25% e 16,25%, respectivamente.

O CPMO manteve, igualmente, os coeficientes de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos em moeda nacional e em moeda estrangeira em 11,50% e 34,50%, respectivamente, situando-se em USD 3.987 milhões, suficientes para cobrir mais de 6 meses de importações de bens e serviços.

O emissor monetário justifica a posição, afirmando que prevalecem elevados riscos e incertezas na economia nacional, não obstante a revisão em baixa das perspectivas de inflação a curto e médio prazo, a um dígito, como resultado das medidas tomadas na sessão de Janeiro de 2021.

Segundo o documento em alusão, a inflação anual manteve a tendência de aceleração, tendo passado de 3,52% em Dezembro de 2020 para 5,10% em Fevereiro último, como consequência do impacto dos choques climáticos e da repassagem da depreciação do Metical para os preços domésticos, excluindo os preços dos bens e serviços administrados.

O Banco de Moçambique refere que a economia mantém as perspectivas de uma recuperação tímida em 2021 o que pode vir a pressionar ainda mais as finanças públicas, agravando o défice orçamental, primeiro, devido à aquisição e logística de administração da vacina contra a COVID-19, a mitigação do impacto sócio-económico dos choques climáticos e as despesas decorrentes da situação de instabilidade militar, sobretudo na zona norte do país.

Com efeito, desde o último CPMO, a dívida pública interna, excluindo contractos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, aumentou de 183,8 mil milhões de meticais para 189,0 mil milhões de meticais.

Para o curto e médio prazo, o banco central prevê um menor agravamento dos preços, como consequência, fundamentalmente, da tendência actual de apreciação do Metical. Porém, os riscos e incertezas associados às projecções de inflação mantêm-se elevados.

A pressão cambial reduziu substancialmente e o Metical aprecia face ao Dólar norte-americano (USD). Desde o início de Março, a procura de divisas tem sido totalmente satisfeita, como resultado de uma maior fluidez que se observa no mercado cambial, contrariamente à tendência registada no princípio do ano. Com efeito, o Metical apreciou, situando-se em 73,35 MZN/USD, depois de 75,11 MZN/USD em finais de Janeiro último.

(AIM)

BM/JSA