A Electricidade de Moçambique (EDM), empresa publica, regista um prejuízo superior a 100 milhões de dólares norte-americanos por roubo de energia e vandalização de infra-estruturas.

Em declacoes ‘a AIM, o Director da Area de Protecção de Receitas e Controlo de Perdas da EDM, Amilton Alissone, revelou que o fenómeno é mais grave na província e cidade de Maputo, onde só em 2020 e primeiro trimestre de 2021, as estimativas de perdas ascendem a 50 milhões de dólares norte-americanos. Aliás, a cidade e província de Maputo absorvem acima de 50 por cento da energia consumida em todo o país.

A vandalização e furto são caracterizadas por desvio da corrente eléctrica antes da contagem, através de viciação de contadores e esquemas de by-pass, por um lado, e por outro, o roubo de transformadores, cabos, cantoneiras, armários, fusíveis, entre outros componentes.

“Neste momento o nível total de perdas de energia está na ordem de 31 por cento, equivalente a 100 milhões de dólares. A nível de perdas técnicas ligadas ao transporte e distribuição, o prejuízo ronda na ordem de dois milhões de dólares. Isso tem afectado gravemente a nossa tesouraria mas, acima de tudo, deixa os nossos clientes sem energia”, disse Alissone.

Para fazer face ao cenário, a empresa assegura que vai continuar a reforçar, nos próximos, tempos a inspecção e vigilância para o desmantelamento das ligações ilegais, uma actividade que conta com o engajamento comunitário, e a instalação de contadores inteligentes que utilizam um sistema de monitoria remota dos equipamentos.

“Estamos a implementar uma estratégia e plano para a redução de perdas e queremos assegurar uma redução de perdas numa média de 2 por cento ao ano até 2024. Vamos também acelerar a instalação dos contadores inteligentes para os clientes de grande consumo até Junho deste ano, o que vai garantir a leitura remota”, vincou a fonte.

Sublinhou que a combinação dos factores negativos tem afectado o balanço da matriz energética da empresa, que várias vezes tem sido confrontada com críticas sobre a qualidade da energia fornecida aos clientes, bem como a implementação de projectos de expansão da rede eléctrica para novos clientes.

A fonte lançou um apelo aos clientes e a comunidade em geral sobre a necessidade da denúncia dos casos de vandalização e furto de energia, chamando atenção para o impacto negativo que essas acções causam não só a empresa, mas ao processo do desenvolvimento, sobretudo o efeito que provoca na implementação do Programa Nacional de Electrificação, que apresenta défice financeiro.

Alissone apontou igualmente os projectos em curso para a redução de perdas, nomeadamente, o Projecto de Melhoria da Qualidade e Eficiência de Energia (PERIP) financiado pelo Banco Mundial num valor total de 29 milhões de dólares e um outro pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), para a redução das perdas de energia na própria rede da EDM orçado em 10 milhões de euros.

“Com as perdas que totalizamos poderíamos construir centrais térmicas e centrais solares para a melhoria da rede eléctrica e expansão da mesma”, assegurou o director.
(AIM)

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