O Presidente da República de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, defende a necessidade de um programa de acção climática da União Africana que tome em consideração os compromissos do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

Segundo o Chefe do Estado, que falava na Reunião virtual do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, o programa de acção acima referido constitui a Convenção 4 das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, mitigação, adaptação e financiamento das mudanças climáticas, assinado em 2016.

“Queria aproveitar esta ocasião para partilhar com os membros do Conselho de Paz e Segurança que Moçambique vai acolher um Centro sobre Assistência Humanitária da SADC, na Cidade de Nacala, província de Nampula, com o objectivo essencial de ajudar a região a fazer face aos impactos e crises decorrentes de mudanças climáticas que têm feito se sentir na região. Fazemos isso com uma consciência total de que o importante seria prevenir. Mas, neste caso, olhando para as vidas humanas, deslocações, sofrimento das pessoas, preferimos igualmente criar condições para mitigação e gerir de uma forma integrada a vida da nossa região”, sublinhou o Presidente da República.

No que tange a crescentes ameaças, particularmente as decorrentes das mudanças climáticas, segundo o Chefe do Estado moçambicano, os estudos já provaram serem causadas pela exploração desenfreada de recursos naturais para propiciar o contínuo avanço das economias dos países desenvolvidos.

“Este desrespeito pela natureza resulta num rasto de destruição com realce em países do continente africano. A título de exemplo, só no presente ano, a região Austral de África, sobretudo a República de Moçambique, já foi fustigada por três ciclones tropicais, nomeadamente Chalani, Eloise e Guambe, exacerbando o rasto de morte e destruição de infraestruturas diversas deixados pelos ciclones Idai e Kenneth que assolaram a região em 2019. Estes fenómenos climatéricos também causaram grandes danos nas Repúblicas do Zimbabwe, Malawi e Zâmbia”, sustentou o Presidente Nyusi.

O Chefe do Estado moçambicano serviu-se da ocasião para endereçar o seu agradecimento pela solidariedade prestada pelos países irmãos, quando o país estava a enfrentar os fenómenos naturais acima referidos.

De referir que a reunião abordou a “Situação da Paz Sustentável em África”, com incidência nas mudanças climáticas e o seu impacto na Segurança Continental” e contou com a participação dos Membros da Troika da União Africana, nomeadamente, África do Sul, Congo, Senegal e do Secretário Geral das Nações Unidas.

A República de Moçambique participa nesta reunião, na qualidade de Membro do Conselho de Paz e Segurança da União Africana.

Refira-se que neste mês, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana é presidido pela República do Quénia.

(AIM)

GIPR/JSA