De Londres, o economista moçambicano Carlos Nuno Castel-Branco defendeu a necessidade de o país eliminar os incentivos fiscais que dá aos megaprojectos para ter condições de responder situações de grande choque como a pandemia da COVID-19. Diz ainda, em entrevista ao canal televisivo moçambicano STV, que é preciso haver clareza sobre os ganhos do fundo soberano que o país pretende criar para não haver ilusões.

O ano 2020 foi um ano atípico para várias economias mundiais, no geral, e para Moçambique em particular, isto devido à pandemia da COVID-19 conjugada com outros factores internos como calamidades naturais e a instabilidade político-militar que vem assolando o país há cerca de três anos. O ano 2021 não começou diferente, embora houvesse expectativa de retoma, mas estamos a viver uma nova vaga da pandemia da COVID-19, continuamos a ser fustigado por ciclones e a instabilidade político-militar ainda é uma realidade, com o terrorismo em Cabo Delgado.

Para Castel-Branco, os factores estruturais que afectaram a economia no ano passado não mudaram substancialmente no que diz respeito à economia de Moçambique, nem no que diz respeito à economia global.

Portanto, a expectativa, tanto para Moçambique como as expectativas que estão a ser discutidas no resto do mundo não são animadoras para 2021. Claro que há uma série de questões a colocar que são de natureza estrutural das economias, das sociedades e dos sistemas políticos. Quando digo política, inclui os governos e os Estados, mas inclui todo o sistema de governação, de participação social, etc, nas sociedades.

Castel-Branco apresenta como exemplo que, a pandemia da COVID-19 coloca desafios fundamentais àquilo que são as ortodoxias económicas que têm sido seguidas nas últimas três ou quatro décadas e que têm sido muito dedicadas, nomeadamente, a sistemática prática de austeridade social e austeridade monetária e fiscal para sustentar o enviesamento da economia e da política à favor de grandes projectos, muitas vezes, não produtivos, frequentemente especulativos, de natureza imobiliária e de natureza financeira e que criam bolhas especulativas na economia e geram muitos lucros para os accionistas, mas que não solidificam as condições de vida, emprego, de trabalho e de sustentação das pessoas.

Numa longa entreviasta ‘a STV, Castel-Banco vincou que isso leva a situações, como por exemplo, de deterioração dos serviços públicos, dos serviços de saúde, dos serviços de educação, dos serviços dos transportes, da habitação, do saneamento, etc.

(AIM)

O Pais/JSA